Clique nas bandeiras para acessar os nucleos estaduais
  • Acre
    Acre
  • Amapá
    Amapá
  • Amazonas
    Amazonas
  • Maranhão
    Maranhão
  • Mato Grosso
    Mato Grosso
  • Pará
    Pará
  • Rondônia
    Rondônia
  • Roraima
    Roraima
  • Tocantins
    Tocantins

Caracterização

 

CARACTERÍSTICAS DO PROJETO

 

Fortalecimento Institucional para a Conservação e o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Brasileira

 

Objetivo Geral:

Fortalecer a capacidade e o desempenho das organizações públicas e privadas que atuam na prevenção do desmatamento e na gestão sócio-ambiental dos estados e municípios amazônicos, através da implantação e dinamização das ações da Incubadora de Políticas Públicas da Amazônia (IPPA).

 

Objetivos Específicos:
 

1.     Avaliar a capacidade e o desempenho das instituições públicas governamentais e não governamentais que atuam na prevenção do desmatamento e na gestão sócio-ambiental dos estados e municípios da Amazônia.
 

Atividades
 

1.1 Identificação, caracterização e análise da capacidade e do desempenho das instituições que operam a gestão socioambiental nos estados da Amazônia Legal, através de mapeamento institucional e produção de indicadores meso-regionais para o período 1960-2010.


1.2 Avaliação da relação entre desenvolvimento institucional, desenvolvimento econômico, qualidade de vida e desmatamento no bioma amazônico, através da análise da dinâmica socioeconômica e dos impactos ambientais decorrentes do processo de expansão da fronteira econômica brasileira nos nove estados da Amazônia Legal, no período 1960-2010.
 

1.3 Identificação, caracterização e análise preliminar das áreas legalmente protegidas e das iniciativas públicas e privadas de gestão dos recursos naturais e produção sustentável, nos nove estados da Amazônia brasileira, através da elaboração de indicadores de gestão ambiental por mesorregião.
 

1.4 Melhorar a eficiência e a governança das organizações que atuam nas ações de prevenção/combate ao desmatamento e na gestão sócio-ambiental dos nove estados da Amazônia Legal.
 

Atividades
 

2.1 Implantação das unidades estaduais da IPPA nas mesorregiões amazônicas mais ameaçadas pelo desmatamento.
 

2.2 Dinamização das ações da Incubadora de Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – IPPA, através de pesquisa-ação nas meso-regiões mais ameaçadas pelo desmatamento.
 

Detalhamento da Pesquisa Ação


A pesquisa ação será realizada conjuntamente pelos integrantes dos Núcleos de Pesquisa da IPPA e pelos representantes das organizações sociais, econômicas e políticas das mesorregiões mais ameaçadas em cada estado amazônico. Essa atividade constará das seguintes tarefas:

2.2.1 Caracterização do sistema ecológico econômico social da meso-região;

2.2.2 Avaliação da dinâmica socioeconômica e das experiências recentes de gestão e manejo de recursos naturais do sistema, através da análise da gestão de empreendimentos coletivos implantados em áreas de conservação, projetos de assentamento/ colonização, comunidades quilombolas e outras populações tradicionais nas meso-regiões priorizadas com base no resultado das atividades 1.1, 1.2 e 1. 3.

2.2.3 Proposições de estratégias de ação da IPPA para subsidiar a elaboração de políticas públicas e projetos prioritários para melhorar a governança e a gestão socioambiental das unidades de conservação, dos projetos de colonização e assentamento e das demais unidades produtivas das meso-regiões com maior ameaça de desmatamento em cada estado amazônico.

 

DETALHAMENTO DO PROJETO
 

I - Importância do projeto para o combate ao desmatamento e para a promoção da conservação e do uso sustentável do bioma amazônico.

A relevância da proposta está em sistematizar informações que estão dispersas em diversas fontes secundárias conjugando-as com informações a serem geradas em processamento situacional de pesquisa junto aos atores sociais das meso-regiões mais ameaçadas pelo desmatamento em cada estado da Amazônia brasileira, através de metodologias que facilitem a integração e geração de ações comuns entre a universidade e as organizações sociais, econômicas e políticas das mesorregiões-alvo da pesquisa.

O foco do projeto está, portanto, na construção democrática, igualitária e colaborativa entre professores, alunos e gestores das universidades amazônicas, de um lado, e as lideranças que tem papéis relevantes na política, nas empresas e nas organizações da sociedade civil, de outro, para que, de forma conjunta e cooperativa, possam contribuir para a mudança de paradigma de pesquisas acadêmicas que revelam os problemas sociais e ambientais da região, mas não contribuem de forma permanente, sistemática, regular e orgânica para a minimização/solução dos mesmos.

A operacionalização dos resultados da pesquisa se fará através da implantação e fortalecimento das ações da Incubadora de Políticas Públicas em cada meso-região a ser estudada, que se espera possa a vir se constituir num ambiente e mecanismo institucional favoráveis à concepção, elaboração, acompanhamento e avaliação de projetos coletivos de produção sustentável e conservação dos recursos naturais da Amazônia brasileira.

II – Resultados Esperados e aplicações concretas.  

A pesquisa deverá produzir os seguintes resultados:

Relatório Técnico-científico que será adaptado para ser publicado como livro sobre  o tema “Instituições, Unidades de Conservação e desmatamento na Amazônia.”

Relatório Técnico-científico que será adaptado para ser publicado como livro sobre  o tema “Expansão da Fronteira, desenvolvimento regional e qualidade de vida na Amazônia”.

Relatório Técnico-científico que será adaptado para ser publicado como livro sobre o tema “Gestão Colaborativa de Recursos Naturais e prevenção do desmatamento na Amazônia.”

Incubadora de Políticas Públicas implantada e atuante nas nove mesorregiões mais ameaçadas pelo desmatamento na Amazônia brasileira.

III - Usuários finais dos resultados do projeto.

Os usuários finais do projeto serão as organizações políticas, sociais e econômicas das regiões mais ameaçadas pelo desmatamento na Amazônia. O projeto será executado pelo Fórum de Pesquisa e Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável da Amazônia que congrega, atualmente, vinte programas de pós-graduação nos nove estados da Amazônia brasileira. A implantação da Incubadora de Políticas Públicas, um dos resultados centrais do projeto, deverá viabilizar a articulação sistemática, regular e permanente entre essas organizações e as universidades amazônicas, rompendo o isolamento entre academia, sociedade e setores produtivos na região. A construção dessa governança socioambiental pelo projeto deverá contribuir para a melhoria do desempenho institucional, da gestão dos recursos naturais, da promoção de atividades produtivas sustentáveis e da qualidade de vida na Amazônia.

IV - Grau de ineditismo do projeto.

O projeto não foi concebido para ser mais um projeto tradicional de pesquisa sobre a Amazônia e seus problemas sociais, econômicos e ambientais, que tem seu valor, mas não contribui para as mudanças institucionais necessárias para a transformação do quadro atual de destruição predatória dos recursos naturais e da baixa qualidade de vida da grande maioria da população regional. O desafio e ineditismo do projeto é unir a universidade amazônica aos demais atores sociais regionais e juntos minimizarem os problemas ambientais, sociais e econômicos do lugar em que vivem e trabalham, bem como projetarem e construírem um futuro melhor para o ecossistema e as pessoas da Amazônia.

V - Etapa de desenvolvimento do projeto? O que falta desenvolver?

O primeiro passo, talvez um dos mais difíceis, já foi dado: a integração entre os pesquisadores, professores e intelectuais da Amazônia, através do Fórum de Pesquisa e Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável. Resta agora integrar a universidade à sociedade e aos setores produtivos nos estados e municípios amazônicos. Esta é a missão nobre reservada a esse projeto.

VI – Parcerias

O projeto será executado pelo Núcleo de Altos Estudos da Universidade Federal do Pará e terá como parceiros co-executores as universidades federais do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins, Mato Grosso e estadual do Maranhão. Essas universidades estão articuladas, através de diversos programas de pós-graduação que são filiados ao Fórum de Pesquisa e Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (ver www.amazonia.ufpa.br).

VII -  Metodologia de gerenciamento do projeto.

A pesquisa para fins operacionais será executada em quatro módulos interdependentes que correspondem às atividades 1.1, 1.2, 1.3 e 2.2.  A gestão da pesquisa será organizada em um núcleo central e 9 núcleos estaduais de pesquisa da Incubadora de Políticas Públicas da Amazônia IPPA. Esses núcleos terão a missão de preparar, através do presente projeto, a implantação efetiva da IPPA em cada estado da Amazônia. A facilitação/preparação desse processo se dará com a execução das atividades 2.1, quando serão instalados os comitês gestores da Incubadora da Região mais ameaçada pelo desmatamento em cada estado, e da atividade 2.1, quando a ação de cada Incubadora estadual será dinamizada pela pesquisa ação

( módulo IV do projeto).

O projeto terá um coordenador geral, três coordenadores temáticos (Módulos I, II e III), 9(nove) coordenadores estaduais e 3 assessores técnico-científicos. A Coordenação geral do projeto será do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos e a gestão das ações será feita de forma colegiada, através de um comitê gestor que será composto pelos coordenadores e pelos assessores técnico-científicos.

 O comitê se reunirá quatro vezes durante a execução das ações do projeto. No mês 1, para homogeneização dos fundamentos  epistemológicos, teóricos e metodológicos da pesquisa, e, nos meses, 6, 12 e 18, para avaliação parcial, correção dos desvios e re-planejamento de atividades, se for o caso. Essas reuniões – workshops - deverão ocorrer como parte da pauta das reuniões ordinárias do Comitê Diretor do Fórum Amazônia Pesquisa. Os resultados do projeto, entre outros mecanismos, deverão ser apresentados nos Congressos organizados pelo Fórum.

Os núcleos estaduais de pesquisa da IPPA serão compostos, no ano I, por um coordenador, três pesquisadores e um bolsista de apoio técnico. No ano II será incorporado mais um bolsista que atuará permanentemente na mesorregião do estado mais ameaçada pelo desmatamento. Os coordenadores, pesquisadores e bolsistas de apoio técnico deverão dedicar no mínimo 20 horas semanais para o desenvolvimento das ações do projeto.

Os coordenadores serão responsáveis pela operacionalização das ações do projeto, promovendo a articulação permanente, sistemática e a consolidação dos resultados dos quatro módulos da pesquisa. As equipes em cada estado deverão organizar-se no núcleo de pesquisa da Incubadora e o coordenador estadual deverá promover mecanismos permanentes de articulação e gestão das ações dos três módulos da pesquisa em seu estado, de forma a garantir a participação de forma efetiva de toda a equipe em todas as ações do projeto, mesmo que operacionalmente cada pesquisador seja responsável por um dos módulos. Essa será a única forma de se viabilizar a condução equilibrada e multidisciplinar da pesquisa.

VIII - Equipe Técnica

Considerando-se que os processos de desmatamento e degradação ambiental estão inseridos em um quadro de pobreza e desigualdades regionais que envolvem tanto a natureza quanto a sociedade e a produção de bens e serviços materiais demandados por cerca de 25 milhões de pessoas que habitam a Amazônia, a composição da equipe responsável pela condução da pesquisa deverá ser multidisciplinar envolvendo pesquisadores das ciências sociais aplicadas e das ciências ambientais.
 

Coordenação:

Núcleo Central

Fábio Carlos da Silva (Coordenação Geral) / NAEA/UFPA

Nírvia Ravena (Coordenação Módulo I) / NAEA/UFPA

Edna Castro (Coordenação Módulo II) / NAEA/UFPA

Ligia Simonian (Coordenação Módulo III) / NAEA/UFPA
 

Núcleos Estaduais

Francisco Carlos Cavalcanti (AC)

José Alberto Machado (AM)

José Maria da Silva (AP)

Zulene Martins Barbosa (MA)

CarlosTeodoro Irigaray (MT)

Mário Amin (PA)

Dante Fonseca (RO)

Marcos José Salgado Vital (RR)

Mônica Aparecida Rocha Silva (TO)
 

CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO FÍSICA DAS ATIVIDADES DO PROJETO

         

Clique aqui

 

Fundamentos Teóricos e metodológicos da pesquisa

 

Objetivo 1
 

Pesquisas recentes, ainda que pontuais ou fragmentadas, vem demonstrando que, nas últimas décadas a expansão da fronteira econômica para a Amazônia tem provocado impactos sociais e ambientais negativos, a despeito do crescimento econômico regional. Como medidas mitigadoras desse processo várias experiências de gestão e manejo dos recursos naturais tem sido implementadas nos últimos anos.

Note-se que quando tais experiências ocorrem nos contextos das populações tradicionais amazônicas, o Estado, as Organizações Não-Governamentais (ONG), associações, cooperativas e/ou empresas também têm participado dos processos que as constituem.

Assim, após a análise do desempenho institucional e sua relação com o desenvolvimento econômico regional e do mapeamento dos impactos ambientais decorrentes desse processo, se fará a identificação das unidades de conservação legalmente constituídas na Amazônia brasileira, portanto, a partir das definições estabelecidas pelo Estado (instâncias federal, estadual e municipal), notadamente as de uso sustentável. Note-se, que nos nove estados, no período pós-Constituição de 1988 e pós-Eco-92, criou-se nessa região, centenas dessas unidades, as quais serão investigadas na atividade 1.3. Dentre elas, têm-se as RESEX, RDS, TI, TQ, APA, RPPN, FLONA, FLOTAS, PA, PC, dentre outras,[1] o que inclui as áreas de entorno que também são definidas em lei, sendo que em muitas dessas, tem-se iniciativas públicas e privadas de gestão e manejo dos recursos naturais.

Ao iniciar o segundo momento da pesquisa, espera-se contar com informações precisas e expressivas sobre as experiências de gestão e de manejo dos recursos naturais e da produção sustentável nos nove estados da Amazônia brasileira. E, particularmente, nos contextos das unidades legalmente constituídas, comunidades formadas por populações tradicionais, instituições públicas, ONG e iniciativa privada. Nessa direção, projetos e relatórios de avaliação, mapas/outros materiais georreferenciados, imagens de satélite, fotografias, inclusive aéreas, dados estatísticos, documentos oficiais, produção científica etc. serão fundamentais. Por sua vez, a expectativa é de que esse material reflita tanto a realidade material de tais experiências, como os interesses ambientais, econômicos, sociopolíticos e culturais de todos os envolvidos.

Ainda, com base nos dados levantados durante a pesquisa, se fará uma analise comparativa mesmo que preliminar acerca do sucesso ou do insucesso, e/ou das limitações e/ou desafios que os gestores das experiências em questão estão a enfrentar nos estados da Amazônia brasileira. Por exemplo, a partir da identificação e caracterização do processo de desmatamento da floresta amazônica, se analisará não apenas suas causas, configuração atual, mas também as ameaças presentes e futuras quanto à floresta em si, a fauna nela existente, às nascentes de água etc.  Desse modo, se poderá produzir um quadro que revele as complexidades, as contradições e as possibilidades das unidades legalmente protegidas, das iniciativas públicas e privadas quanto à gestão, manejo dos recursos naturais e à produção sustentável nessa região.

As atividades 1.1, 1.2  e 1.3 gerarão indicadores e informações que permitirão definir-se as mesorregiões em cada estado da Amazônia que apresenta maior grau de vulnerabilidade ao avanço e crescimento do desmatamento

Apesar das críticas sobre o potencial dos indicadores socioambientais,[2] um uso crítico dos mesmos pode ter implicações interessantes no âmbito do Projeto NAEA-BNDES. A saber, e por certo, um produto como esse se constituirá em elemento facilitador para a definição posterior das mesorregiões dos estados amazônicos, ou seja, precisamente onde ocorrerão os trabalhos da fase seguinte desse Projeto.

A pensar-se na Amazônia brasileira e legal onde a pesquisa será realizada, tem-se um território vasto, ou seja, cerca de 50% do espaço brasileiro, que apesar do domínio das florestas tropicais e de uma base hídrica impar, enquanto região a mesma tem uma das diversidades biológicas e culturais mais importantes do mundo. Nesse espaço, a expansão colonial e neocolonial garantiu condições para a expropriação territorial, a destruição dos recursos naturais e mesmo o etnocídio em relação às populações amazônicas indígenas, o que a ecologia histórica, a antropologia e a economia política têm evidenciado[3]. Contraditoriamente, o bioma amazônico, incluindo suas áreas florestais, hídricas e seus recursos de fauna, chegou a meados do século XX ainda bastante conservado, o que por certo, tem muito a ver com a regeneração natural.

Porém, com as políticas e ações definidas e implantadas na Amazônia brasileira a partir de então, este quadro passou por processos de transformações profundas[4]. Nesses termos, os direitos das populações tradicionais, quer das indígenas, quilombolas, caboclas e mesmo dos migrantes alocados em Projetos de Assentamento (PA) e de Colonização (PC), continuaram e em certa medida continuam a ser desrespeitados, negados[5]. E como nos períodos anteriores, é de observar-se que tais realidades decorrem de interesses nacionais e internacionais de natureza neocolonial e autoritária também se mostraram dominantes, sendo que as elites regionais tiveram participação nesses desdobramentos.

Frente a tal situação, os impactos negativos atingiram de tal modo as populações amazônidas tradicionais e contemporâneas e as migrantes radicadas na região em tempos mais recentes, que muitas têm buscado soluções para as limitações que têm estado a vivenciar, o que é preciso conhecer melhor[6]. Assim, as experiências de gestão e manejo de recursos naturais regionais e de produção sustentável desenvolvidas pelas populações a serem investigadas a partir do Módulo da pesquisa 3 têm raízes nas culturas tradicionais indígenas, quilombolas e caboclas da região e de migrantes que nela se radicaram a partir dos PA e PC,[7] o que inclui possibilidades comunitárias ou coletivas. Estudos sobre experiências similares revelam a eclosão de processos de “revitalização cultural”[8] e de “recuperação da natureza”,[9] o que é instigante.
 

Objetivo 2
 

O detalhamento da pesquisa nas mesorregiões mais ameaçadas pelo desmatamento será realizado conjuntamente pelos pesquisadores e pelos atores sociais mapeados na atividade 1.1, tendo como referencial metodológico o conceito de pesquisa ação.[10] A princípio as mesorregiões de cada estado amazônico deverão ser estudadas como sistemas complexos e a metodologia proposta aproveitará a experiência recentemente desenvolvida pela Universidade da Flórida no estado do Mato Grosso, que promoveu atividade de integração entre pesquisadores e atores locais tendo como objetivo compreender a região de Alta Floresta-MT, como um sistemasócio-ecológico-econômico complexo, reconhecendo as interações entre seusdiferentes componentes e verificando a resiliência desse sistema frente a distúrbiose eventos imprevistos, tendo sido realizadas as seguintes atividades:

• Definição dos subsistemas locais que foram objeto do estudo e caracterização das interações entre estes subsistemas e as diferentes escalas do sistema regional, nacional e global;

• Entrevistas com atores locais para construção de histórias regionais (com diferentes

perspectivas), que foram interpretadas no contexto do ciclo adaptativo;

• Mapeamento dos interesses dos principais atores, interações e influências no sistema;

• Realização de análise preliminar dos diferentes usos da terra e políticas alternativas sob uma perspectiva de sustentabilidade considerando múltiplas dimensões e

• Construção de cenários futuros.[11]

Enfatize-se que os resultados da pesquisa resultantes da atividade 2.2   módulo IV (pesquisa ação) serão incorporados aos obtidos nas atividades 1.1, 1.2 e 1.3, permitindo-se, dessa forma, através desse processo metodológico de sinergia de informações entre escalas de análise, pois haverá uma maior riqueza de detalhamento informativo para a microrregião e o município pólo da mesorregião analisada na pesquisa ação, o aprimoramento do relatório final da pesquisa. Dessa forma, apesar das atividades serem lineares, isto é seqüenciais, o resultado da última alimentará e enriquecerá os relatórios parciais das atividades concernentes ao objetivo 1. Daí resultando a interdependência dos objetivos.

Em síntese a pesquisa pautar-se-á na assertiva de que um melhor entendimento da dinâmica do sistema poderá contribuir para a governança adaptativa e para a melhoria da gestão dos recursos naturais, pois teorias recentes tem demonstrado que o entendimento da dinâmica dos sistemas pode promover o engajamento dos atores sociais simultaneamente com seu empoderamento através do conhecimento mútuo entre atores que encontram-se em setores econômicos artificialmente separados, mas que compõem o mesmo sistema sócio-ecológico-econômico.

Promovendo liderança, comunicação e aprendizado social pode-se preparar os atores para a mudança, para a construção de confiança e portanto para a melhoria do contexto social para a gestão.[12]

Essa é a missão nobre da universidade que esse projeto poderá viabilizar.

 



[1]Respectivamente, as: Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável, Terras Indígenas, Terras Quilombolas, Áreas de Proteção Ambiental, Reservas de Patrimônio Privado Natural, Florestas Nacionais, Florestas Estaduais, Projetos de Assentamentos (inclusive, os Agroextrativistas) e Projetos de Colonização etc. Para esses conceitos, ver BRASIL. Lei nº.  9.985, de  18  de  julho de 2000. Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e dá outras providências. Ver mais: Constituição Federal e Estatuto do Índio vigentes; legislação sobre TQ; as produzidas nos âmbitos estaduais e municipais. 

[2]A respeito, ver, dentre outros autores, VEIGA, J. E. da. Indicadores socioambientais: evolução e perspectivas.Revista de Economia Política. [on line]. v. 29, n. 4, p. 421-435, 2009. ISSN: 0101-3157. doi: 10.1590/S0101-31572009000400007.

[3]São muitas as obras a respeito, mas ver: MOREIRA NETO, C. A. Índios da Amazônia: da maioria à minoria (1750-1850). Petrópolis: Vozes 1988.

[4]A respeito, ver a posição de DOUROJEANNI, M. Seven questions to M. Dourojeanni. 04 jan. 2011. Disponível em: http://www.oecoamazonia.com/br/blog/. Acesso em: mar. 2011.

[5]Dentre outros autores, ver SIMONIAN, L. T. L. Tendências recentes quanto à sustentabilidade no uso dos recursos naturais pelas populações tradicionais amazônidas. In: ARAGÓN-VACA, L. E. (Org.). Populações e meio ambiente na pan-Amazônia. Belém: NAEA/UNESCO, 2007. p. 25-44.

[6]A exemplo das experiências que estão sendo desenvolvidas nas RDS Iratapuru (AP) e Mamirauá (AM), no Projeto RECA (RO), e na RESEX Chico Mendes (AC).

[7]No que se refere aos migrantes trazidos de outras regiões do Brasil por agentes de projetos oficiais e particulares de assentamento ou colonização, muitos dos quais vivem em unidades legalmente constituídas ou em suas áreas de entorno, experiências exitosas existem, sendo que em sua maioria apreenderam com as populações tradicionais da Amazônia brasileira, em especial suas abordagens sustentáveis quanto aos recursos naturais e envolvendo gestão, manejo e usos.

[8]WALLACE, A. Revitalization movements. American Anthropologist, v. 58, p. 264-281, 1956.

[9]A saber, de áreas florestais destruídas e/ou degradadas, de águas contaminadas e de espécies animais e vegetais ameaçadas. Dentre outros autores ver: POSEY, D. (Re) Descobrindo a riqueza da Amazônia: princípio da Terra Nullius e a conservação da biodiversidade, dos recursos genéticos e do conhecimento tradicional. In: FORLINE, L. C.; MURRIETA, R. S.; VIEIRA, I. C. G. (Org.). Amazônia: além dos 500 anos. Belém: MPEG, 2006. p. 501-531.

[10]A pesquisa transforma-se em ato de conhecimento, envolvendo uma troca entre pesquisadores e atores locais, para juntos construírem o entendimento da realidade e as possibilidades de ação sobre ela visando atingir determinado objetivo ou conjunto de objetivos de interesse comum (M.J.M.Thiollent, Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo, Cortez, 1998, Citado por  Robert J. Buschbacher, Simone F. deAthayde e Wendy-Lin Bartels, Estudando a Fronteira Amazônica como Sistema Sócio-ecológico complexo, Alta Floresta, 2010, p.15).

[11]Robert Bushbacher et all, op. Cit. p.13-14.

[12] Olsson, P., L. H. Gunderson, S. R. Carpenter, P. Ryan, L. Lebel, C. Folke, and C. S. Holling. 2006. Shooting the rapids: navigating transitions to adaptive governance of social-ecological systems. Ecology and Society 11(1): 18.

 [online] URL:http://www.ecologyandsociety.org/vol11/iss1/art18/; Frost, P., B. Campbell, G. Medina, and L. Usongo. 2006. Landscape-scaleapproaches for integrated natural resource management in tropical forestlandscapes. Ecology and Society 11(2): 30. [online] URL: http://www.ecologyandsociety.org/vol11/iss2/art30/.

Núcleo de Altos Estudos Amazônicos/NAEA-UFPA. Setor Profissional, sala 220. Av. Perimetral s/n 01 - Guamá. Cep: 66075-650. Belém - Pará - Brasil

Tel: (91) 3201-7496

Desenvolvido por Equilibriumweb